O Budismo e Portugal
Sua Santidade o Dalai Lama representa um mundo espiritual e cultural com o qual Portugal estabeleceu relações pioneiras. Desde a Idade Média que conhecemos a versão cristianizada da vida de Buda, apresentado como um santo cristão – Josafate - , e foi Diogo do Couto o primeiro a identificá-lo. O Padre António de Andrade, em 1624, foi o primeiro ocidental a estabelecer uma missão no Tibete. O budismo tem interessado e apaixonado portugueses ilustres, como Antero de Quental, Wenceslau de Moraes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
  • O Budismo: uma religião mundial

    Breve introdução histórica ao Budismo Tibetano

    O Buda Gautama nasceu no Norte da Índia no quinto século antes de Cristo. Era filho de um rei que o criou para ser o herdeiro do trono. O início da sua vida passou-se no luxo do seu palácio, com poucas preocupações e cuidados. Enquanto jovem, Gautama atingiu a excelência tanto no campo académico como no atlético.
    Sidarta Gautama começou entretanto a questionar a vida mundana que levava e fugiu do palácio de seu pai, em busca de uma vida com mais sentido, tornando-se discípulo de diversos mestres de filosofia e de meditação. A sua busca foi de tal modo convicta que rapidamente atingiu as mais altas realizações meditativas que tais mestres lhe podiam propor, não se dando com isso por satisfeito. Apesar de anos de intensa prática ascética, descobriu que nenhum destes sistemas o poderia levar para além dos limites da existência condicionada. Decidiu então prosseguir sozinho a sua procura, atingindo, através dos seus esforços, a iluminação, na actual Bodh Gaya. Começou, mais tarde a ensinar, atraindo rapidamente um grande número de discípulos, muitos dos quais se tornaram exímios na prática da meditação.
    A diversidade de pessoas que se aproximaram do Buda para receber os seus ensinamentos e praticar o seu caminho implicou uma correspondente diversidade no modo de ensinar. A diferentes indivíduos e grupos o Buda ministrou diferentes instruções, adequadas aos seus respectivos temperamentos e capacidades intelectuais.

    Os ensinamentos que o Buda deu durante a sua vida podem ser divididos em três categorias: Os que foram inicialmente compilados no Cânone Pali e formam a base da chamada Escola Theravada, que enfatiza a disciplina moral e ética; os ensinamentos do Mahayana ou Grande Veículo que sublinham a compaixão e a preocupação com os outros e os ensinamentos tântricos do Vajrayana ou do Mantrayana Secreto que utilizam uma enorme panóplia de meios hábeis que possibilitam atingir uma profunda realização num tempo relativamente curto.
    Após a sua morte, à medida que as diferentes escolas e tradições se foram formando, as diferenças entre os vários ensinamentos tornaram-se mais acentuadas.

    Nos séculos que se seguiram, estas diferentes tradições difundiram-se gradualmente por toda a Índia e por toda a Ásia Central, Oriental e do Meridional, chegando até à Indonésia. Algumas tradições perderam-se completamente enquanto outras se fundiram, formando novos tipos de budismo. No Século XIII, a chegada do Islão e as transformações políticas na sociedade indiana conduziram o dharma do Buda para fora da seu país de origem, tendo sido noutros países que os ensinamentos foram preservados, o Theravada, no Sri Lanka, Birmânia, Tailândia e Cambodja e o Mahayana, na China, Japão, Coréia e Indo-China e o Vajrayana, principalmente no Tibete. O Tibete teve a dupla sorte de ter sido não só um dos poucos países nos quais o Vajrayana continuou a ser praticado como também o único no qual a totalidade dos ensinamentos das três tradições foi preservada e transmitida.
    Ao longo dos séculos, as diversas correntes de ensinamentos do Buda têm sido transmitidas de mestre a discípulo pelas numerosas linhagens que vieram a constituir as quatro principais escolas do Budismo Tibetano que conhecemos na actualidade – Nyingmapa, Kagyupa, Sakyapa e Gelugpa.

    O enorme leque de ensinamentos que podem ser encontrados no Budismo Tibetano pode ser resumido nas Quatro Nobres Verdades, expostas pelo Buda pouco depois do seu Despertar. O primeiro destes quatro pontos consiste no facto de a nossa existência condicionada não se encontrar nunca livre do sofrimento, não sendo nunca verdadeiramente satisfatória. Toda a felicidade que temos é apenas temporária e acaba por dar lugar ao sofrimento. A razão para isto, como se explica na segunda verdade, é que qualquer acção, palavra ou pensamento produz um resultado que se manifestará mais tarde nesta mesma vida ou numa vida futura. Assim, o renascimento constitui o resultado das acções praticadas e as condições em que se nasce nesta vida dependem directamente das acções realizadas em vidas anteriores e particularmente nas suas intenções e atitudes envolvidas. O princípio da causalidade explica assim porque é que algumas pessoas permanecem pobres durante toda a sua vida apesar dos seus esforços para enriquecerem enquanto outras têm tudo o que querem mesmo sem fazerem nada para o obter. A segunda destas verdades afirma que a causa das nossas acções consiste nas emoções negativas como o ódio, o apego, o orgulho, o ciúme e especialmente a ignorância que é a raíz de todas as outras. A ignorância define-se não apenas como uma falta de sabedoria no nosso modo de agir mas, mais profundamente, como a ignorância fundamental que subjaz ao modo como percepcionamos habitualmente a totalidade da existência e somos constantemente enredados pelo nosso apego à ideia que temos de nós próprios e do mundo exterior como sendo algo de sólido e duradouro. Se as nossas acções não tiverem fim, não poderá haver um fim para o nosso constante renascimento no círculo da existência condicionada. Só quando deixamos de agir movidos pela ignorância é que este ciclo pode ser quebrado tal como se atesta na terceira verdade que expõe a cessação do sofrimento e a liberdade da existência condicionada.
    A quarta verdade explica o modo como esta verdade pode ser alcançada. Isto implica essencialmente, por um lado, a acumulação de acções positivas, como a prática da caridade e por outro a prática da meditação que poderá directamente dissipar a raíz da ignorância que constitui a causa do sofrimento. Um praticante que siga o caminho apenas movido pelo objectivo da sua libertação individual poderá atingir um alto nível de realização e tornar-se um Arhat (aquele que superou as emoções negativas) mas tal não é ainda a iluminação perfeita. Apenas aqueles que têm como sua motivação o bem e o despertar de todos os seres podem atingir a iluminação última. Tais praticantes que seguem o caminho do Grande Veículo, baseado na compaixão, são conhecidos como Bodhisattvas. Um Bodhisattvaque se dedique aos profundos ensinamentos e hábeis métodos do Vajrayana poderá atingir o despertar num período muito breve.

    Albert Einstein afirmou que o Budismo era uma tradição que cumpria os critérios que ele julgava necessários a um caminho espiritual adaptado ao século vinte. Hoje em dia, os físicos modernos chegam a conclusões próximas dos ensinamentos que constam das doutrinas que o Buda expôs há dois mil e quinhentos anos. Enquanto na vida espiritual tradicional da Ásia o materialismo exerceu uma influência diversificada, no Ocidente um crescente número de pessoas começa a manifestar um grande interesse pelas possibilidades oferecidas pelo estudo e prática do Budismo.
    Quando a continuidade das linhagens budistas foi posta em causa pelas transformações políticas ocorridas no Tibete, na década de cinquenta do século XX, numerosos lamas autorizados procuraram preservá-la, trazendo-a para a Índia. Estes lamas não só haviam recebido as transmissões próprias das suas linhagens mas também, pelo estudo e meditação, tinham alcançado a completa compreensão e realização dos ensinamentos. Simultaneamente, alguns visitantes ocidentais da Índia começaram a demonstrar interesse por estes lamas e pelo seu património espiritual. Padmasambhava, a quem os tibetanos chamam "Guru Rimpoché", o Mestre Precioso, afirmou que o Vajrayana provaria o seu especial poder e efeito num tempo em que as emoções fossem mais fortes do que nunca. Com base nisto, muitos mestres consideraram adequado introduzir estes ensinamentos no Ocidente. O Vajrayana é particularmente flexível e adaptável às diferentes situações em que se encontram as pessoas nas sociedades modernas, pelo que, sem perder a sua forma tradicional, é agora ensinado a um vasto número de pessoas em todo o mundo.

    Versão condensada de: “Breve introdução histórica ao Budismo Tibetano - Introdução dos Tradutores” Páginas XI to XIIV, in “Palavras do meu Mestre Perfeito” de Patrul Rimpoché, Tradução pelo Grupo de Traduções Padmakara.
  • O Budismo em Portugal
    A União Budista Portuguesa propõe-se congregar as autênticas tradições budistas existentes em Portugal. O seu objectivo consiste em apoiar as suas actividades assim como praticar e promover a prática do Budismo.
    Com esse objectivo, a União tem convidado a ensinar em Portugal vários mestres de diferentes tradições budistas e irá prosseguir as suas actividades de apoio e promoção de todas as iniciativas que contribuam para a difusão do Dharma no nosso país.
    Neste sentido, procuramos partilhar com os nossos concidadãos a existência do Budismo. Além disso, mantemos um rigoroso critério de reconhecimento da autenticidade das tradições budistas existentes no nosso país.
    Estamos também abertos à participação de associados individuais que não se reconheçam nas tradições existentes mas que partilhem o nosso ideal de promoção do Budismo. A todos convidamos a utilizarem os nossos serviços e a colaborarem connosco.

    A União tem sócios, sócios fundadores e praticantes de diferentes escolas budistas.
    Assumimos uma atitude de abertura e não de divisão e acreditamos que é indispensável congregar esforços para que o Budismo seja conhecido e respeitado em Portugal como uma das principais tradições religiosas do planeta.

    Pensamos que a difusão dos ensinamentos do Buda pode constituir um enorme contributo para criar um mundo mais harmonioso e mais feliz. O Budismo tem sido para alguns de nós, desde há 2500 anos, um caminho pacífico que conduz à superação do sofrimento e à realização da perfeição.

    Para mais informações ou contactos visite a página da União Budista Portuguesa em:
    www.uniaobudista.pt
  • A Songtsen - Casa da Cultura do Tibete: Centro Cultural Tibetano
    A Songtsen – Casa da cultura do Tibete: Centro Cultural Tibetano – é uma associação de carácter não lucrativo cujo objectivo essencial consiste em contribuir para a preservação, conhecimento, estudo e difusão da cultura tibetana e dos seus valores, em todas as suas expressões: religiosa, filosófica, artística e civilizacional (D.R. nº213, III Série de 14 de Setembro de 2000).

    A criação da Songtsen foi inspirada por T. T. Pema Wangyal Rinpoche, seu Presidente Honorífico. A sua intervenção baseia-se na mensagem universal de Sua Santidade, o Dalai Lama. A Songtsen integra uma rede internacional de instituições similares, com o objectivo de universalizar o espírito e o génio do povo tibetano.

    Ameaçada de extinção na sua própria terra de origem, a rica e diversificada herança cultural e de sabedoria do povo tibetano enfrenta actualmente uma Diáspora histórica. Enquanto isso, um número crescente de ocidentais tornam-se sensíveis ao carácter universal destes valores e espiritualidade.

    Proveniente do “Tecto do Mundo”, região dotada de uma espectacular beleza natural, a cultura tradicional e viva do povo tibetano representa um notável contributo para toda a humanidade com vista ao desenvolvimento do autoconhecimento, da fraternidade, da paz e da liberdade, particularmente urgente neste momento de crise e mutação da consciência planetária.

    Tendo sido os portugueses o primeiro povo ocidental a estabelecer contactos regulares com o povo tibetano, é com verdadeiro regozijo que acolhemos entre nós a riqueza desta cultura consagrada ao desenvolvimento das superiores potencialidades do ser humano.

    Para mais informação ou contacto, visite:
    www.casadaculturadotibete.org